terça-feira, 4 de outubro de 2011

Sobre um pirata uma astronauta e coisas da lua. (Part2)

   Passaram-se sete dias desde a memorável despedida do inverno e calorosa saudação da primavera. O sol brilhava como se fosse a primeira vez, tudo se resumia em luz, azul sede e verde sereno.
   Todos por alí se conheciam, logo estranharam ao ver pelas estradas de terra aos passos curtos uma menina de cabelos escuros na altura dos ombros, olhos cor de miolo de girassol e sapatos cor de folha, sempre acompanhada de um menino não muito alto, de cabelos enrolados,olhos escuros como cubos de gelo refletindo pó de café e adornos esquisitos.
  Os não normais (como eram chamados) pareciam assustados coma presença daquele povo de cabelos coloridos e roupas engraçadas. Aparentemente impressionados com tudo que viam na pequena Guster, onde rapidamente viraram assunto, todos queriam saber de onde vieram, o que queriam e etc, ja que nunca houve visitantes naquele pedacinho de terra vermelha.
   Pouco antes de escurecer os não normais, foram vistos nas beira do rio, bebendo água e se abraçando, sorriam com tanto prazer que pareciam consumir a fonte da juventude.
   Os olhos que observavam atentamente a alegria incompreendida dos visitantes eram os velhos e murchos olhos de Jordana, Uma senhora muito respeitada por seus bons atos, e conhecida por todos por sua generosidade.
   Vendo que o sol estava cedendo espaço para que o pretume tomasse conta, Jordana diz:
  -Esta anoitecendo,não seria melhor irem pra casa?
  -Casa? faz dias que procuramos por casa -Disse a pequena menina com o olhar fixo ao céu.
   A senhora manteve o doce sorriso mesmo sem entender nada, e convidou os jovens para um jantar em seu pequeno lar.
  Chegaram em tempo, ao fechar a porta acabou-se o ultimo raio de luz,
  -Como se chamam?
  -Ela se chama Monalisa, eu me chamo Melvin. E a senhora?
  -Nomes interessantes, me chamo Jordana. Como chegaram aqui?
  -Não sabemos- disseram juntos
  Então Ele tenta explicar:
  -Houve uma grande chuva, nossos corpos estavam cinza e morremos. Mas houve uma grande queda também e despencamos do céu
  -Esta me dizendo que vocês voam?- perguntou Jordana com um tom irônico.
  -Sim, de balão- com segurança disse Monalisa
  -Um balão? ouvi falar sobre um balão antes da chuva.
  -Sim estavamos neste balão.
  -Mas, cade o balão?
  -Não sabemos, morremos na metade do caminho, nossos corações secaram por falta de água, se não fosse o céu desabar em chuva...
  Jordana ficou completamente encantada e ao mesmo tempo confusa com tudo o que ouviu. Passou a chama-los de satélites.
  Poem-se a mesa, frango e batatas, Melvin e Monalisa devoram as batatas em um piscar de olhos, quanto ao frango nem se quer uma biliscadinha.
  Conversaram por horas a fio, até o nascer do sol. Aprenderam com a senhora os costumes e tradições de Guster e convenceram Jordana da existência de algo que ilumina a todos enquanto o sol descansa, e por isso precisavam encontrar o balão, pois precisavam ir até a lua. 

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