domingo, 25 de novembro de 2012

O impaciente sem pressa (Parte 1)



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   Começamos aqui, nesta casa recém reformada. Paredes azuis escondem bem o que a solidão pintou. As paredes dessa casa nunca viram tantas pessoas sorrindo, jamais foi visto mais de duas pessoas ocupando o mesmo comodo. Só por hoje esta tudo diferente, todos bebem, dançam e gargalham mostrando dentes amarelados e obturações
  Eu assisto tudo calado, olhando para cada rosto e tentando entender como tudo aconteceu. Meu tapete, meus quadros, meu piano... tudo que é meu, encontra-se do lado de fora. Agora o que vemos são moveis brancos sem graça combinando e um lustre que deve custar mais que todas as minhas porcarias que jogaram no lixo.

  A festa continua, comemoram meu aniversário, comemoram cada segundo que o relógio me suga. Filhos de tristes putas.

    Assisto tudo calado. Vejo ela, o bela e jovem protagonista do meu inferno, minha ex-esposa, cumprimentado e elogiando cada convidado que chega com uma garrafa de vinho ou uma bebida qualquer.
   Ela sorri, parece feliz, por mais podre que sua felicidade pareça. Ela esta linda, radiante. Uma verdadeira puta de luxo! Foi assim que a conheci, mas sem luxo algum.
   O pai foi um bancário que acabou virando um criminoso, um tempo depois foi morto por agiotas  Sua mãe foi consumida pelas drogas. Acredito que o pai se endividou bancando cada bucha que aquela mulher aspirava como se fosse a ultima, cada pedra como se fosse a ultima, até que chegou a ultima picada na veia. A unica coisa que sei é que nunca vi uma mulher foder tanto com a vida de um homem como foi nesse caso.
   Sozinha no mundo herdou a beleza da mãe e a inteligencia do pai. Em seu primeiro momento de desespero foi se aventurar nas ruas. Seu primeiro cliente, eu.
Uma mulher de qualidades notáveis, e uma ambição mais notável ainda. A culpa é minha.


  A vida era boa. Fama,poder e dinheiro. Dono de uma grande rede de casa de jogos. O dinheiro comprava tudo, amigos, respeito, mulheres... tudo.
Lembro da noite que perdi tudo o que eu tinha em uma maldita aposta. Percebendo que não tínhamos mais porra nenhuma, o que ela fez foi correr aos braços daquele que ganhou a aposta. Foi como um brinde, leve minha casa, meu dinheiro, tudo que tenho, e ganhe uma mulher fria e calculista que te trocaria por uma maçaneta se fosse banhada a ouro.
    Quando estamos fudidos, a ultima coisa que queremos é alguem lembrando o quanto estamos fudidos. No fim das contas, foi um bom negócio.