segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Esse vidro te confunde.

Aqui dentro você é algo repugnante,
não é bem vista
Julgam até mesmo as suas asas.
Você pode ver o mundo 
mas não pode te-lo
Vai passar horas batendo a cabeça 
até que sua vida acabe.
Sei que não desejou estar aqui
e tudo o que quer é ir morrer bem longe
onde o nosso lixo é seu luxo.


Abri a janela e deixei a mosca sair.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Reforma de setembro

Sempre estive aqui e nunca te vi passar.
Minhas janelas sem vidro não te chamaram a atenção.
Eu sei que faltam azulejos e tem paredes sem pintar
Me desculpe pelo teto
Ainda esta em construção.

O meu anuncio, talvez possa te convencer
Passar o endereço para o seu nome

De mudança e malas prontas
Disposta a ficar
Pé na porta e entre sem pedir permissão
Tranque as portas
Pra ninguém mais entrar
A placa diz lar-doce-lar, em meu coração.

Agora em reforma
Nem parece a mesma casa
Que um dia eu vi
Mudou a pintura
E há girassóis no jardim
Qualquer coisa pra manter você aqui.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O muro



Construir para dividir e separar o que nos difere.
Interferir, tirar daqui e destruir o que nos fere.


Sob o céu tão cinza só prédios, ruas e motores.
Corremos entre tudo isso, não vemos fim.
E nem queremos ver.


Fingimos tão bem ao nos comparar com flores.
Roubadas do jardim de quem não merece ter.


Paredes solidas nos assistem, com medo de cair.